segunda-feira, junho 04, 2018

Dia 1

Bom, sempre gostei de palavras, pensei e sonhei como muitos e muitas em ser escritora. Infelizmente minha realidade não permitiu grandes estímulos e motivações, muito menos oportunidade, até então tudo certo para uma família de quatro que sobrevive com dois salários mínimos. A surpresa foi eu gostar de ir a escola, embora sempre estar rodeada de amigas em sua maioria não faziam muita questão de me ver sorrindo. Mas admirava boa parte dos professores, achava maravilhoso a arte de concentrar a atenção de uma turma de mais de vinte alunos e si mesmo, ser figura de respeito, os alunos se espelham em seus professores.
Após formação de onze anos em escolas públicas, sempre aluna mediana, muito quieta, tímida com preferência em observar do que obter atenção. Um ano no ensino médio acreditei que iria reprovar, por estar passando por um momento de vontade de sair da linha que me foi traçada e imposta a ser seguida, ser boa filha, boa aluna, resumindo, obedecer. Mas me vi em uma situação de uma das escolhas mais importantes, continuar estudando ou parar e provavelmente ter um vida igual dos meus pais, mais especificamente igual da minha mãe, mulheres que não terminou os estudos e trabalhadora.
Decidi então continuar estudando, me espelhei em um colega considerada estudiosa da sala, observei-a bem e reproduzi seu comportamento em aula, de prestar absoluta atenção, mas nunca deixei de lado minha essência de extremo medo de chamar atenção, excluindo o comportamento de falar em aula. Essa restrição imposta por eu, em eu mesma, me fez aprender a compreender as coisas sozinha, em ter atenção na entre linhas, associar o que foi dito antes com o depois, e obter o entendimento do assunto, essa habilidade carreguei comigo desde então.
Em meio a essas idas e vindas tive um namorado, relacionamento de duração de dois anos, relacionamento lamentável, diga-se de passagem, abusivo, como penso que todas as mulher já tiveram o desprazer de passar por uma experiência abusiva. O marco de maior mudança pessoal foi no período de fim desse relacionamento e início da minha estadia em um cursinho pré vestibular popular. Neste cursinho entendi o que era realmente estudar com qualidade, e de maneira que me fizesse crescer de várias formas, principalmente como cidadã, a tomada de consciência como indivíduo inserido em uma cultura, a mercê de centenas de influências que poderão ditar meu futuro. A partir disso fui capaz de mudar esse destino previamente traçado pela sociedade, rasguei o papel que me estava sendo passado para desempenhar.
Hoje, estando em uma universidade pública, para muito um sonho, para eu às vezes quase que um pesadelo, não chega a ser pois foi algo que almejei e desejei por três anos, até conseguir entrar e ser um dos poucos pontos fora da curva, ao ter consciência disso, manter a luta passa a possuir maiores motivações para fazer o possível para ganhar. O ganhar não se trata apenas de se formar após cinco anos de curso, mas trata-se de conseguir entregar trabalho de mais de cinco matérias dentro dos curtos prazos, e ainda estudar para a prova que virá em seguida. O aprendizado e conhecimento são abundantes, a todo tempo está disposto, basta nos apropriamos deles, não é e nem nunca será tarefa fácil.
Moro em república, com amigos e namorado, e também é apresentado para eu todos os dias desafios de convivência, me alimentar e morar com pouco dinheiro, criar minhas gatas e cuidar delas quando ficarem doentes. Conseguir estudar e realizar minhas tarefas em meio a grande desorganização de seis pessoas jovens dentro de uma casa pequena. Tomei a decisão no último mês de ser vegetariana, tentando me tornar vegana, mas respeitando minhas limitações.

Estresse, baixa auto-estima, desmotivação, desanimo excessivo, dentre outros sentimentos de final de semestre me motivarão a criação de um blog pessoal, pois tenho plena consciência que são sentimentos frequentes em muitos estudantes, e partilhar deles pode me aliviar de alguma forma e quem sabe mostrar para alguém que não está sozinho nessa caminhada....




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Dia 3

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